CENTRALIZAÇÃO DE PODER
Coluna de Regina Passaes
No primeiro artigo escrevi que uma gestão moderna de Escola de Samba deve seguir modelos empresariais, pois o Carnaval tomou proporções que exige uma modernização em investimentos de forma profissional e empresarial. Entretanto, não é o modelo que encontramos na grande maioria da gestões. Há uma excessiva centralização de poder nas mãos de uma única pessoa, que neste caso é representada pela figura do presidente que dita as regras e sua palavra é a máxima verdade para o restante do grupo, o que é errado dentro de uma visão moderna de Gestão de Escola de Samba. O tempo de senhores feudais e vassalos há muito já se acabou e, muitos gestores continuam insistindo em manter seus feudos.
Em uma empresa, existem divisões e departamentos com sua respectivas chefias e estas estão subordinadas ao presidente da empresa. Cada chefe desses setores comanda de acordo com os poderes delegados pelo presidente, sempre com o objetivo dos lucros a serem obtidos. O presidente da empresa não consegue gerir sozinho. Ele precisa de pessoas que viabilizem o funcionamento perfeito de sua empresa. Na Escola de Samba também é preciso que haja uma delegação de poderes para que se atinja o lucro proposto, que neste caso é o desenvolvimento de um trabalho para a realização do desfile perfeito. Infelizmente, não é isso que acontece nas Agremiações. Funções de Diretores são ocupadas por pessoas que muitas das vezes estão ali apenas por serem antigos na Agremiação ou por serem “mais chegados” do presidente, sem que na verdade saibam qual é o seu verdadeiro papel.
Hoje, a Escola de Samba precisa de profissionais devidamente qualificados e/ou pessoas compromissadas com a função exercida e, principalmente conhecedora do papel que a sua função representa. Tal como em uma empresa que possui gerentes e chefes, a composição de uma Diretoria de Escola de Samba deve também seguir os mesmos moldes e contar primeiramente com um estatuto e a seguir, presidente (eleito), vice-presidente, vice-presidente administrativo, vice-presidente financeiro entre outros, além dos diversos departamentos (cultural, marketing, harmonia, social,.....). Existe, ainda, um elemento que é a peça fundamental de toda essa engrenagem, denominado Diretor de Carnaval. Ele poderia ser comparado ao gerente geral da empresa e, seu papel é tão importante que será assunto de um artigo inteiro.
Regina Passaes é residente no Rio de Janeiro, Professora de História e Bacharel em Administração de Empresas
e-mail: reginabaiana@ig.com.br
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