ENTREVISTAS
Entrevistado: Rafael Condé
ROTA DO SAMBA - “A fantástica civilização negra: dos enigmáticos faraós negros a África brasilis”, como é esse enredo?
Rafael Condé - O enredo é dividido em quatro setores. Nós começamos com toda a imponência do Antigo Egito, contando a história de Amom, um príncipe egípcio, negro, que se fez faraó. Em seguida vamos mostrar a África majestosa com os negros minas, negros congo, Angola, guerreiros africanos, vamos mostrar a África imponente, mas rústica, quero fazer esse setor bem rústico. Chegando ao Brasil, vamos mostrar os quilombos. Quilombos do Espírito Santo, Minas Gerais, e o grande Quilombo dos Palmares. E o final é a cultura negra. Só que a Ana Rosa (diretora de carnaval) e eu tomamos uma liberdade carnavalesca. Vamos mostrar que Palmares foi a reencarnação de Amom. Esse deus egípcio retorna na figura grandiosa de Zumbi dos Palmares. A história se confunde, entrando num delírio carnavalesco.
RdS - Por ser a atual campeã, a Unidos do Ladeira tem uma responsabilidade maior ao entrar na avenida. Como a escola está lidando com isso?
Rafael Condé - O Ladeira foi o campeão do carnaval, então ele tem que entrar como campeão. Essa é a obrigação do Ladeira. Essa é uma preparação minha, do Nelson e do presidente, juntamente com a diretoria e bateria, porque somos um time. Eu estou defendendo o campeonato, eu tenho que entrar como campeão do carnaval e não como “eu sou bi-campeão”. Estou trabalhando os mínimos detalhes.
RdS - Você pretende trazer alguma inovação?
Rafael Condé - Sendo sincero, eu vou tentar sim.
RdS - Algo que não seja comum em Juiz de Fora?
Rafael Condé - Isso. O carnaval do Ladeira vai ser um carnaval bem grandioso. De fato, uma escola que foi campeã tem que se superar. Vou tentar esse ano um investimento maior em alegorias, mas sem maiores detalhes (risos).
RdS - Qual a sua avaliação do carnaval de Juiz de Fora?
Rafael Condé - Juiz de Fora precisa ter uma visão de profissionalismo. As pessoas não respeitam o carnaval de Juiz de Fora como profissional. Existem escolas de samba em que o presidente fica sentado esperando verba. Não é necessário citar nomes porque isso está na cara para todo mundo de dentro do carnaval ver. Agora, existem escolas que trabalham, chamam pessoas, fazem um bingo, coisas simples, mas que estão trabalhando, querem começar cedo. Temos que mudar a visão que se tem hoje. Precisamos de profissionalismo.
RdS - De todos os enredos que você já fez qual o ser preferido?
Rafael Condé - Nossa... Meu preferido foi D. Maria (enredo campeão de 2008). Foi o único enredo que eu pude sentar e criar do jeito que eu achava que tinha que criar. Foi um delírio. Todos os enredos que já fiz tinham uma história certa, definida, já D. Maria eu brinquei... Eu tinha anjo, demônio, Napoleão, borboleta devoradora de cérebro, índio canibal, feiticeiro africano, inferno tropical...
RdS - Fale um pouco da sua carreira, como começou...
Rafael Condé - Comecei em 1995 catando caco de vidro dentro do barracão do Ladeira. Não conhecia ninguém, não sabia fazer nada. Em 1998, eu conheci o Waltencir Barbosa, que é o melhor carnavalesco de Juiz de Fora, meu mestre, meu pai. Entrei na casa do Waltencir e na cara dura falei que queria fazer carnaval. E ele me ensinou a fazer fantasias, me ensinou todo o processo, todas as técnicas. Já trabalhei no Real Grandeza, Rivais da Primavera, Vale do Paraibuna, em outras cidade como Cabo Frio e Petrópolis, e em 2006 fui ser figurinista no Ladeira. Em 2007, como carnavalesco, fui vice e esse ano cheguei ao topo, que é o sonho de todo e qualquer carnavalesco.
RdS - O que é ser carnavalesco?
Rafael Condé - Em uma palavra: amor. Fazer com amor. Não me vejo na minha vida sem fazer carnaval. É um vício (risos).
* Jeferson Rodrigues é Jornalista – Juiz de Fora/MG
Contatos: jeff.mocidade@gmail.com
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