GESTOR DE CARNAVAL: UMA NOVA PROFISSÃO
Coluna de Regina Passaes
Primeiramente quero pedir desculpas pela minha longa ausência. Com a aproximação do carnaval, o tempo foi ficando curto. Porém, como dizem que o ano só começa após o carnaval, então agora que o carnaval passou, vamos começar também.
Percebam, ao final da coluna, que acrescentei um novo título de formação. Pois bem, e é sobre a prática em gestão que comentarei hoje, a partir de uma experiência real.
Muitas pessoas costumam afirmar que os teóricos falam e escrevem sobre isso ou aquilo e, que na verdade nada sabem da prática. O relato de hoje será exatamente sobre a teoria colocada em prática.
Em agosto de 2007, fiquei sabendo que uma Escola de Samba do Grupo de Acesso, aqui do Rio de Janeiro iria enrolar a bandeira, o que significa na linguagem do samba, fechar as portas. Minha cabeça fervilhou e comecei a pensar a 220 w. Levei minhas idéias para um grupo de alunos e ex alunos do
Instituto do Carnaval, pois também era aluna de lá e, depois de uma conversa, resolvemos assumir o comando da escola. Iríamos fazer por nossa conta o que muitos já faziam em outras agremiações e lá, eram apenas mais um. E assim começou nosso trabalho. Precisávamos correr pois já estávamos no
mês de setembro. Sabíamos que a tarefa não seria fácil, mesmo assim decidimos encarar. Claro que o grupo que começou não foi exatamente o que concluiu o trabalho. Muitos abandonaram o barco no decorrer do caminho. Entretanto, aqueles que acreditavam na vialbilidade do projeto, continuaram
firmes até o final. Começamos com 20 pessoas e, apenas 10 resistiram. Era a nossa chance de mostrar profissionalismo.
Arregaçamos as mangas e colocamos a mão na massa. Sobravam quatro meses para fazer o que todos já haviam começado em março. Tínhamos tudo para desanimar: um tempo curto, uma escola desacreditada, falta de recursos e pouca experiência prática. Porém, tínhamos de sobra: perseverança, disposição e vontade de acertar.
Formamos uma verdadeira comissão de carnaval com objetivos bem definidos. Onde cada um era parte fundamental de uma engrenagem.
Abrimos mão de muitas coisas para tornar o nosso sonho em realidade. Foram dias e noites de trabalho árduo. Teve choro, desentendimentos e também muitas horas de alegria. Era uma mistura de medo e angústia.
As duas últimas semanas que antecederam ao carnaval foram de pura adrenalina. O tempo corria e a nossa expectativa aumentava. Pareceia que não daria tempo.Entramos pelas madrugadas para a conclusão dos trabalhos.
Finalmente chegou a dia de nossa prova final. Colocamos a escola na avenida. Ela estava simples, só que para nós era a mais bela de todas. Era a sensação do dever cumprido.
Chegou o dia da apuração. Assim como no desenvolvimento dos trabalhos, estávamos todos lá. A cada nota dada, a emoção aumentava e o coração ia ficando mais apertado. O resultado oficial foi anunciado. Não tiramos o primeiro lugar, porém conseguimos elevar a escola de grupo e ainda ganhamos três prêmios.
Era a recompensa de todo o nosso trabalho. Era a teoria colocada em prática. Era a certeza de que agora, nós Gestores de Carnaval, formados pelo Instituto do Carnaval e pertencentes ao GRES Delírio da Zona Oeste, éramos realmente profissionais de carnaval. Nós fizemos acontecer.
E o trabalho continua. Já estamos começando a trabalhar para 2009.
Regina Passaes é residente no Rio de Janeiro, Professora de História, Bacharel em Administração de Empresas e Gestora de Carnaval
e-mail: reginabaiana@ig.com.br
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03/05/2008 - sergiopeixoto
parabens, tomei conhecimento do trabalho de vcs aqui na Rota do Samba. sou gaucho, carnavlesco, autor de mai de 100 temas de enredo pelo Brasil ...na semana que vem começa um curso de Gestão de Carnaval e vou falar sobre temas enredos e concepções alegóricas , vou falar da experiencia de vcs , vou usar o exemplo de vcs. abraços, boa sorte, contem comigo

