I – SINOPSE DO ENREDO 2009 DO BONECOS COBIÇADOS
Teu Nome Principia na Palma da Minha Mão
O G.R.C.E.S Bonecos Cobiçados, em seu grandioso desfile, vai homenagear às Marias, trazendo para a Avenida dos desfiles...
Afinal, com quantas Marias foi feito o mundo? Certamente de muitas. Marias Loucas, Marias Sagradas, Marias Mundanas, Marias Infantis, Marias Musicais, Marias, Marias, Marias...
Apaixonadas, guerreiras, nascidas da maior de todas, única, Maria Mãe do Mundo.
Ao longo da história do Brasil, nós deparamos com várias Marias. Porém a mais famosa só desembarcaria nestas terras há cerca de duzentos anos, louca, apaixonada por seu filho, transforma uma viagem de fuga na mais exuberante “entrada regia”, promovendo uma festa sem precedentes na chegada da realeza ao Brasil. Pra ela, pouco importava Napoleão, o Brasil, ou a corte portuguesa. Nem a própria loucura. Na sua insana paixão, desejava tão somente que a festa de casamento de seu filho fosse fabulosa, maravilhosa, fantástica, inesquecível. E foi.
A procissão real, comandada por Maria, encanta e fascina. No céu, “Três Marias” direcionam e abençoam o cortejo, iluminando de azul o Brasil, com uma chuva de estrelas cintilantes.
Atrás dela vêm as outras, suas acompanhantes. “Maria Vai Com as Outras”.
Somente Maria foi rainha abaixo da linha do Equador.
A realeza traz consigo, além da primeira rainha, inúmeras Marias, que povoam o único reino das Américas, e recebem títulos, e se tornam nobres sem nunca terem sido em outras terras.
Mas traz também o sofrimento para outras Marias. Maria Mineira Naê, a Agotime, chega ao Brasil, escrava, depois de ser rainha de Daomé. Mais é a partir da escravidão, que surgem as Marias Protetoras..... Maria Conga, Maria Redonda.
– Saravá as Pretas Velhas, sua benção, Vovó!
E para abrir os caminhos da Bonecos, as Marias Padilhas vem “limpando” a Avenida. Axé...
Marias que cantam e dançam. Marias de muitos homens, sedutoras, insinuantes.
Embora escrava e sofredora, a “Maria da Senzala” trás também alegria para as Marias infantis, as sinhazinhas, Beijadas e Ibejis, através da delícia de seus quitutes, conquistando os corações de outras Mariazinhas.... da Cachoeira, da Praia, da Mata. Doce Maria, doces de Marias, doces Mariazinhas.
Cobrindo com seu manto o Brasil, a Maria Maior, mãe abençoada, de Aparecida, que já foi terra de Guaratinguetá. Romeiros, Beatas, ex-votos. – Orayê yê o, Oxum!
Seguindo esses caminhos do interior, terra de Marias valentes, guerreiras, onde o temido Lampião se torna coadjuvante de sua Maria Bonita. Lá encontramos a alegria das Marias-Chiquinhas, Maria Breteiras, e da Maria-Preta, na ilusão de chegar aos céus.
Nessa festa do interior, outra Maria, internacionalmente conhecida como Gal Costa, faz o povo dançar, embalados por sua voz inconfundível, assim como outras Marias fizeram, no passado, a alegria através de seu cantar maravilhoso.
Divas! Marias que encantaram os ouvintes do rádio brasileiro. A Rádio Nacional foi o Reino dessas Marias:
“Nós somos as cantoras do rádio.
Levamos a vida a cantar....”
E aproveitando a licença do tema, a Bonecos Cobiçados encerra a sua fantástica apresentação prestando uma justa homenagem a uma grande Maria, diminuta no tamanho mas enorme em sua voz: “A Pequena Notável”.
Salve o Centenário de Carmen Miranda, ou Maria do Carmo Miranda da Cunha.
Tonho Duarte e Wellington Pessanha
II - JUSTIFICATIVA DO ENREDO:
Maria o teu nome principia
Na palma da minha mão
E cabe bem direitinho
Dentro do meu coração...
(Ary Barroso / Luís Peixoto)
É com grande prazer e orgulho que o G.R.C.E.S. Bonecos Cobiçados no Carnaval de 2009 pretende através de uma iniciativa ousada levar para a nossa passarela do samba o tema Marias.
Embora pareça lugar comum, hoje, falar sobre a importância do nome Maria e a sua presença em nossa história, este nome nos remete um passado secular e que tem a sua origem na história hebraica.
Não se trata de uma história restrita, apesar de enfocarmos não somente as Marias que nasceram em nosso país ou que de uma forma ou outra contribuíram e muito com o desenvolvimento de nossa nação.
Buscamos exaltar principalmente as excepcionais biografias que povoam o nosso imaginário mítico. Que por muitas vezes não foram citadas pelos registros oficiais apesar de serem grandes vultos. Tudo isso tornando nossa tarefa árdua, pois temos a intenção de verbalizar e visualizar o que é tido como simples.
Mais que celebrar este nome a Bonecos Cobiçados quer mostrar na Avenida as histórias, as crenças, a cultura popular, o saber feminino, as vozes de várias Marias através dos tempos. Sensualidade, coragem, beleza, paixões, força, inteligência, poder e vitalidade são características que ao logo dos tempos encontramos quando falamos de nossas Marias.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este enredo vai contar uma breve história das Marias no Brasil enfocando as personagens que possuem este nome bem como as expressões que estão associadas o mesmo.
Nossas alegorias vão mostrar a essência básica de cada uma delas.
Folias, histórias e os costumes de cada uma delas serão ilustrados através de nossas fantasias. Enfatizando os festejos, as crendices, as tradições e as manifestações do povo brasileiro, que fazem destas um grande amalgamam do nosso patrimônio cultural imaterial.
Em suma a Bonecos Cobiçados pretende apresentar um desfile que:
1. Preste uma homenagem as Marias, a partir desta que foi a única Rainha a viver abaixo da linha do Equador.
2. Transita entre o popular e o erudito, entre o sagrado e o profano, e que principalmente exalta a força da mulher no Brasil.
3. Que enaltece de forma descontraída a cultura e os saberes populares.
4. Por fim preste uma homenagem aos 100 anos de nascimento deste com certeza é um dos nossos maiores ícone do cinema e da canção: Carmen Miranda, que era Maria do Carmo Miranda da Cunha.
Tonho Duarte e Wellington Pessanha
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