Vitrine do samba

Gestor de Carnaval: Uma nova profissão – Regina Passaes


Publicado em 17 maio 2012

Gestor de Carnaval: Uma nova Profissão

Por Regina Passaes

Primeiramente quero pedir desculpas pela minha longa ausência. Com a
aproximação do carnaval, o tempo foi ficando curto. Porém, como dizem que o ano só começa após o carnaval, então agora que o carnaval passou, vamos começar também.

Percebam, ao final da coluna, que acrescentei um novo título de formação. Pois bem, e é sobre a prática em gestão que comentarei hoje, a partir de uma experiência real.

Muitas pessoas costumam afirmar que os teóricos falam e escrevem sobre isso ou aquilo e, que na verdade nada sabem da prática. O relato de hoje será exatamente sobre a teoria colocada em prática.

Em agosto de 2007, fiquei sabendo que uma Escola de Samba do Grupo de
Acesso, aqui do Rio de Janeiro iria enrolar a bandeira, o que significa na
linguagem do samba, fechar as portas. Minha cabeça fervilhou e comecei a
pensar a 220 w. Levei minhas idéias para um grupo de alunos e ex alunos do Instituto do Carnaval, pois também era aluna de lá e, depois de uma
conversa, resolvemos assumir o comando da escola. Iríamos fazer por nossa conta o que muitos já faziam em outras agremiações e lá, eram apenas mais um. E assim começou nosso trabalho. Precisávamos correr pois já estávamos no mês de setembro. Sabíamos que a tarefa não seria fácil, mesmo assim decidimos encarar. Claro que o grupo que começou não foi exatamente o que concluiu o trabalho. Muitos abandonaram o barco no decorrer do caminho.

Entretanto, aqueles que acreditavam na vialbilidade do projeto,  continuaram firmes até o final. Começamos com 20 pessoas e, apenas 10 resistiram. Era a nossa chance de mostrar profissionalismo.

Arregaçamos as mangas e colocamos a mão na massa. Sobravam quatro meses para fazer o que todos já haviam começado em março. Tínhamos tudo para desanimar: um tempo curto, uma escola desacreditada, falta de recursos e pouca experiência prática. Porém, tínhamos de sobra: perseverança, disposição e vontade de acertar.

Formamos uma verdadeira comissão de carnaval com objetivos bem definidos. Onde cada um era parte fundamental de uma engrenagem.

Abrimos mão de muitas coisas para tornar o nosso sonho em realidade. Foram dias e noites de trabalho árduo. Teve choro, desentendimentos e também muitas horas de alegria. Era uma mistura de medo e angústia.

As duas últimas semanas que antecederam ao carnaval foram de pura
adrenalina. O tempo corria e a nossa expectativa aumentava. Pareceia que não daria tempo.Entramos pelas madrugadas para a conclusão dos trabalhos.

Finalmente chegou a dia de nossa prova final. Colocamos a escola na avenida. Ela estava simples, só que para nós era a mais bela de todas. Era a sensação do dever cumprido.

Chegou o dia da apuração. Assim como no desenvolvimento dos  trabalhos, estávamos todos lá. A cada nota dada, a emoção aumentava e o coração ia ficando mais apertado. O resultado oficial foi anunciado. Não tiramos o primeiro lugar, porém conseguimos elevar a escola de grupo e ainda ganhamos três prêmios.

Era a recompensa de todo o nosso trabalho. Era a teoria colocada em prática. Era a certeza de que agora, nós Gestores de Carnaval, formados pelo Instituto do Carnaval e pertencentes ao GRES Delírio da Zona Oeste, éramos realmente profissionais de carnaval. Nós fizemos acontecer.

E o trabalho continua. Já estamos começando a trabalhar para 2009.

Regina Passaes  é  residente no Rio de Janeiro, Professora de História,
Bacharel em Administração de Empresas e Gestora de Carnaval
e-mail: reginabaiana@ig.com.br

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