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HISTÓRIA DO CARNAVAL DE URUGUAIANA

1ª EDIÇÃO- 11 janeiro 2006- DANIEL FANTI Vice Presidente de carnaval da LIESU

INTRODUÇÃO

“Garimpar” aspectos da história do carnaval de Uruguaiana é mostrar que esta festa popular tem suas raízes bem mais profundas do que se imagina. Começa pelo o Entrudo ou jogo do Entrudo, costume trazido pelos portugueses. Era comum, antes da quaresma, as famílias e amigos realizarem o Jogo do Entrudo que consistia em fazer brincadeiras jogando águas perfumadas uns aos outros, dentro de bolas de cera, chamados de limões-de-cera. Os escravos misturados com o povão, pelas ruas, faziam o similar, atirando farinha, água nos transeuntes, esfregando polvilho na cabeça dos negrinhos, tornando-se uma brincadeira tradicional, cujo costume originou os chamados carnavais d’água, os lança-perfumes, confetes e serpentinas. Essas brincadeiras como tempo tornaram-se  inconvenientes e incomodativas irritando aqueles que não aderiam ao costume, gerando desavenças e conflitos mais sérios. Então, em 1875 o Presidente da Câmara de Vereadores, Cel. Augusto Cesar de Araújo Bastos, de acordo com o Código de Posturas por Edital, proíbe o Jogo do Entrudo, estabelecendo multas aos infratores e açoites aos escravos. Grupos de jovens de famílias ricas organizavam as famosas sociedades bailantes e  em época de carnaval os bailes de “Masqué “( bailes de máscaras), abrilhantados por orquestras, usando as famosas bisnagas com água perfumadas, confetes e serpentinas, tendo como local suas amplas residências, estendendo-se aos pátios ajardinados. Não existindo clubes sociais, as sociedades bailantes faziam suas festas, alugando o Teatro Carlos Gomes e ou a sede da Societá Italiana di Mutuo Socorro Unione e Beneficensa. Nas ruas, poucos fantasiados populares apareciam importunando os transeuntes dizendo: Você me conhece ? Alguns eram recolhidos pela polícia por suas inconveniências. Num passado não muito remoto houve grandes carnavais proporcionais ao tempo e a população da cidade. Pelas pesquisas, realizadas, que agora se traz a lume, verifica-se que em Uruguaiana a festa momesca iniciou-se numa ordem inversa descendente, isto é, da elite ao povão, através dos tradicionais clubes sociais, primeiramente o Clube Comercial formado e freqüentado pelos industriálistas  e pecuaristas, logo a seguir   fundava-se o Clube Caixeiral que abrangia a classe de comerciantes e comerciários, podemos assim dizer, que essas entidades tornaram-se os alicerces do embasamento dos sonhos e alegrias das festas momescas. Um pouco mais tarde, após a libertação do escravos, a população negra tomou seus próprios rumos e foram se organizando em sociedade nas primeiras décadas do Século XX, fundando suas associações de classe e entidades carnavalescas que marcariam épocas. Apareceu  a Sociedade Recreativa Laço do Amor e a S.B.U Filhos do Trabalho e a sociedade Carnavalesca Cordão de Ouro e o bloco Pierrot. Entre a elite e as sociedades negras, restava o resto da população numa quantia bem maior, que a seguir, agregados por associação de classes surgiram também os clubes de desportos como o Tênis Clube Rio Branco e o Uruguaiana Praia Club, clubes estes de classe elitizada. Em meados do Século XX, surgiram diversos clubes de classe média, como o  Grêmio Recreativo Tiradentes, Grêmio Cabo Luiz Quevedo, SBU dos Motoristas, Associação dos Varejistas e Clube Juventude citando os mais antigos. Dentre a maioria dessas entidades no reinado de Momo surgiram os blocos carnavalescos de salão mas, que em determinados carnavais de  épocas faziam seus “assaltos” à residências previamente combinado com o dono, sendo obsequiados com frios, doces e bebidas fazendo ali, uma festa de carnaval e  outros blocos saiam às ruas antes da entrada no clube. Em determinadas zonas da cidade surgia certos blocos que se formavam aleatoriamente de grupos familiares e amigos. Na década de 1950, é que foram recém criadas as Escolas de Samba, as primeiras como Os Filhos do Mar, Os Rouxinóis e os Manda-Chuva da Folia. Mais tarde, a Cova da Onça, Unidos do Uirapuru, Ilha do Marduque, Acadêmicos do Samba e Deu Chucha na Zebra.

CURIOSIDADES ESPARSAS

1934- A Srta. Lizete  Veloso, rainha do Bloco Alegria era conduzida num coche de gala, puxado por cavalos e escoltada por nove “garçons d’honeurs” formando assim a corte. Entravam esplendidamente para a festa de coroação no Clube Comercial.

1932- Os jogos d’água se realizavam na 2ª e 3ª feira de carnaval, denominados de entrudo, formado por automóveis, caminhões e bandos de pessoas procurando molhar os transeuntes desprevenidos.

1932- Srta. Izar Vilella, rainha do Clube Comercial com sua comitiva visitava os bailes carnavalescos no clube Caixeiral e demais sedes de entidades carnavalescas. Felipe Papaleo era o presidente do Bloco Democratas do Caixeiral.

1932- A Srta. Sarita Guterres era a rainha do bloco Cordão de Ouro que à principio tinha sua sede no Centro Social de Beneficência.

1931- Nos dias de carnaval o corso  se realizava na então, rua Duque de Caxias. Era o ponto alto dos folguedos de Momo, nessa festa tipicamente popular a alegria se propagava com as guerras de confetes, serpentinas e lança~perfumes.

1931- O Maestro Servan fazia a melodia das marchinhas de carnaval para o bloco Xadrez com letra do jovem Hermelindo Cavalheiro.

1937- Na rua Ceará (hoje Tiradentes ) no lugar denominado Cova da Onça, um soldado enfurecido do 8º R. C. I,  tentando não ser molhado, alveja com tiros a jovem Jurema da Rosa, que junto com outras moças participavam dos jogos d’água. O soldado foi preso e indiciado por tentativa de homicídio.

1978- O Jornal Ilustrado critica Os Rouxinóis dizendo: “ que deliberadamente, provocou talvez, o único grave senão de seu desfile, com a inclusão de dois travestis, lamentável...”

1978- o historiador Raul Pont, convidado pela COMCECAR, julga o quesito enredo no carnaval de rua.

1938- A Prefeitura Municipal regula o tradicional Jogo d’água, somente das 14 h às 18 h.

1987- É escolhido por voto o Rei Momo, o Zecão, gerando certo descontentamento, por ser ele “de cor”, embora fosse o mais animado e popular concorrente.

1987-A Censura advertia às entidades carnavalescos no Carnaval de rua, referindo-se a nudez das moças no desfile, que não se responsabilizaria por elas na  dispersão da Avenida.

1931- Funda-se o Cordão Carnavalesco Estrela do Sul, tendo na sua diretoria o Sr. Luiz Mutti e o presidente Sr. Domingos Lucques.

1931- Na S. B. U. Caixeiral, durante o baile carnavalesco executado pela orquestra, dançava-se a “Polonaise “ dança dos antigos saraus da nobreza, em que os pares  cheios de mesuras, seguravam-se apenas pelas mãos, com  direito ao som de piano e violino.

1931- É fundada a Associação  Burlesca B. C. Gaúcho, tendo como presidente o Sr. Francisco X. de Vargas Filho.

1956- A Escola de Samba Os Manda-Chuva da Folia, recebe da rádio Charrua um troféu, por ter saído de suas fileiras a 1ª Rainha do Carnaval Popular, a Srta. Nilza Medeiros, por um concurso realizado entre entidades carnavalescas. Considera-se como a 1ª rainha do Carnaval de rua de Uruguaiana.

1956- A Comissão Oficial de Carnaval, nomeada pelo Prefeito Municipal encontrava-se com sérias dificuldades de conseguir um Rei Momo, ninguém aceitava o convite.

1983- Yolanda Salgueiro e Neri Lima, foram respectivamente os grandiosos Porta-Bandeira e Mestre-Sala da tradicional Cova da Onça.

1983- Os Rouxinóis abalam à torcida verde e branco, e ao público, ao entrar na Avenida, a direção anuncia que não iriam concorrer para não submeterem ao julgamento dos jurados. Deram de bandeja o campeonato para a rival Cova da Onça.

1980- Em vista das principais escolas de samba, Os Rouxinóis e Cova da Onça não participarem do carnaval, cria uma rivalidade sem tamanho entre as subsequentes Chucha na Zebra e Ilha do Marduque. Havia segredo em tudo, comenta a imprensa. A preto-branco exigia identificação das pessoas para assistirem aos ensaios e não mostrava os protótipos das fantasias aos desconhecidos. A Ilha, por sua vez, escondia o número de integrantes e nem divulgava a letra de seu samba-enredo. Nos barracões a coisa era pior: havia vigilantes por toda a parte, em ambas as escolas. Mesmo assim a espionagem funcionava.

1981-É escolhido o rei Momo, Carlos Ramos, com 29 anos e 130 quilos.

1937- O Deus Momo ( como denominavam) chegava por via fluvial e era recepcionado no Porto de Uruguaiana. Logo a seguir os foliões e populares seguiam em préstito o Momo, até o clube Comercial.

Nas décadas de 1920 a 1930, os blocos carnavalescos denominavam suas sedes concentração de “caverna” ou de “castelo “ referências da mitologia. Os bailes carnavalescos tinham como ponto alto a dança da “Polonaise” que era conduzida por um marcador, As marchinhas os carnavalescos denominavam de “marcha de guerra.”

2ª EDIÇÃO- 22 janeiro 2006- DANIEL FANTI Diretor de Carnaval da LIESU

CURIOSIDADES ESPARSAS

1945- Paulino Matias e Perceu Baptista, músicos pensavam em organizar uma autêntica Escola de Samba, à molde do Rio de Janeiro. Até então, essa modalidade carnavalesca não se conhecia em Uruguaiana, existindo somente blocos.

1945- Srta. Ermegarda Marques, Rainha do Clube Caixeiral e o Presidente Walter Praetezel, preparavam-se para organizar o tão esperado Baile de Carnaval.

1945- A diretoria do Clube Comercial organizava Baile Carnavalesco de Gala com direito a Smoking e Summer, colarinho duro e outros acessórios. Comentava o jornal A Nação que esse baile não parecia muito carnavalesco.

1945- no regulamento do Jogo d’água estabelecia o horário das 13:30 às 17:30 nos dias de carnaval. Proibia:

-Que não molhassem as cozinheiras e nem os fantasiados.

-Que água suja não devia ser utilizada.

-Que devia haver respeito, princípios de decoro e cavalheirismo.

1947- Fazia sucesso na rádio Charrua a marchinha carnavalesca “O Pirata da Perna de Pau”

1951- o 1º grito de Carnaval nos salões da Agrícola Pastorial, recebia sua Majestade o Rei Momo. O serviço de bar estava a cargo Sr. Atilano Nogueira. A imprensa comentava “a encantadora festividade burlesca’.

1934- O rei Momo chegava via barco no Porto de Uruguaiana e dizia a imprensa: “O Deus Momo vem das regiões do seu confrade Netuno.” A concentração dos foliões se fazia na Praça D.Pedro II, antiga praça do Porto. Após, a recepção de Momo, seguia um luzidio cortejo até ao centro da cidade. Sr. Félix Romano era o Momo.

1945- Anunciava-se a programação de Carnaval:

Dia 28 janeiro- formidável Corso e a tarde Jogo d’água;

Dia 3 Fevereiro- bailes burlescos no Comercial e Caixeiral;

Dia 4  idem    - Domingo- cortejo de serpentina e confétes, o calor será atenuado pelo o entrudo (Jogos d’água )

Dia 10-Fevereiro- Baile a fantasia nos dois clubes;

Dia 11- Folia plena- grande Corso e concurso de Camarotes Ornamentados. À tarde e a noite Entrudo.

Dia 13 Fevereiro- Terça-feira gorda- Corso e Entrudo.

Dia 17 Fevereiro- Baile a fantasia no Caixeiral.

Dia 18 Fevereiro- Enterro dos Ossos- Corso e Entrudo e Chuva (certamente se referia a jogos d’água.)

1980- Marta Pinheiro,nossa rainha do carnaval, foi eleita em Bagé, Rainha do Carnavaldo Rio Grande do Sul.

1984- Impasse do presidente da AESU, (Associação das Escolas de Samba de Uruguaiana), condena o O Jornal de Uruguaiana, por Ter divulgado na véspera do Carnaval a relação de jurados, com ressalva daqueles que ainda seriam convidados. Na ânsia de atacar o jornal, foi deselegante, ao citar o nome do Sr. Arthur Ramos, que como alguém não seria jurado. Curiosamente, no dia seguinte, foi o primeiro a fazer parte da lista dos jurados. Tornou-se difícil convencer os suplentes a compor a referida lista.

1997- Citava o O Jornal de Uruguaiana: O Carnaval de Paso de Los Libres está envolvido em discussões e denúncias: as rádios librênhas anunciavam que um grupo de torcedores de uma escola de samba havia tentado subornar um jurado brasileiro.

1997- “Os Intocáveis”, bloco de salão sem fantasias, apenas usando camisteas personalizadas, sagra-se em 1º lugar no Concurso estabelecido pelo Clube Comercial, tirando o 2º lugar o “Bacus” e  em 3º o bloco U.T.I., em 4º lugar os “Independentes. Os dois primeiros, chegavam a ter  uns 800 integrantes, aproximadamente.

1978- Em janeiro é instituída a COMCECAR para dirigir e organizar o carnaval, com seu escritório na rua Santana nº 2767. Na Coordenadoria Executiva tinha o arquiteto Dr. Moacyr Ramos Martins, o Pitico e o Coronel Léo Saraiva Neiva representava o Excutivo Municipal.

1980- Deu Chucha na Zebra é a grande campeã do Carnaval, tendo Maria de Fátima Moroso como excepcional sambista e Chiquinho com o destaque O Rei da Paz.

Esta Escola realizava seus ensaios frente a sede do Aliado Futebol Clube na rua Benjamin Constant.

1980- A Imprensa comenta  a inflacionalidade  do Carnaval, herança deixada pelos Os Rouxinóis e Cova da Onça, que não participaram daquele desfile.

1980- A Chucha reclama dos “olheiros” da Marduque, que vão todas as noites espionar seus ensaios. Introduziu naquele Carnaval as cores vermelho e azul em suas fantasias numa homenagem ao Aliado F. C.

1980- Marta Pinheiro Maffazoli, de 18, Rainha do Carnaval do RGS, é da Chucha na Zebra.

1980- João Mauro, presidente da Ilha do Marduque, critica Os Rouxinóis e Cova da Onça, pois “deram o passo maior que as pernas e agora não vão sair.”

Adverte também que não adianta a Chucha ensaiar no Imbaá, que eles não vão perder para a preto e branco.

1980- O samba-enredo da Ilha do Marduque, baseava-se numa poesia de Afonso Guimarães, Ismália, com letra e música de Nelson Ibarra, puxador do samba Sergio Matias de Abreu, o popular cantor “Palhaço’.

1980- Antonio Cândido Mendes de Souza, Assessor de Turismo e Desportos da PMU, ressalta que pretende dar prioridade absoluta para o Carnaval de Uruguaiana, que deve ser divulgado e promovido para atrair turistas à cidade.

1985- Jane Silva a “Pinah” da Ilha do Marduque confirma sua participação no Carnaval. Quanto a nudez ela não sabe se repetirá o mesmo estilo do carnaval passado.

1998- A LIESU reinicia a venda de cautelas, com o objetivo de arrecadar fundos para o Carnaval daquele ano e saldar a dívida num total de R$ 18 mil, afirma José Newton Gomes do Conselho Deliberativo da entidade.

1938- O cordão carnavalesco “Pierrots” realiza sessão de Assembléia Geral e reelege seu Presidente, Sr. Cristalino Jardim.

1961- O Prefeito Antonio Chiarello, pretende oficializar o Carnaval de Rua de Uruguaiana mas, advertia: “Não gastará um tostão com os festejos”. Houve apenas uma inovação: o carnaval voltará para a Av.Pres. Vargas, e não construirá no local o enorme tablado, como fizera na Bento Martins. Que o comércio deveria custear as despesas da festa.

 

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11/10/2008 - Samantha Frye
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