A velha história num remake mal feito
Todos conhecem a velha piada do sofá, aquela que o marido encontra a mulher com o outro no sofá e para resolver o problema vende o sofá, assim é a prática do poder no Brasil, seja o político ou o judiciário.
Para não me alongar tanto, exemplifico duas atitudes, uma ligada à outra, a primeira é o caso famoso de um funcionário do baixo escalão do governo federal pego aceitando propina, foi o início do escândalo chamado “valerioduto”, escândalo que ficou só nas CPIs e que ninguém foi punido de verdade. Como a tal propina veio do bolso de um chefão do esquema que controlava os bingos, o governo federal para resolver o problema, determinou o fechamento das casas de bingo no país. Medida simples e sem nenhum efeito positivo, pelo contrário, acabou com milhares e milhares de emprego. A corrupção como se sabe continua ativa.
A outra atitude, esta do judiciário, também em conseqüência de escândalos a Justiça Eleitoral resolveu reeditar a famigerada Lei Falcão, aquela que só podia fazer propaganda na televisão com fotos e ninguém poderia se pronunciar. O então Ministro Armando Falcão – de triste memória – decretou que o cidadão poderia ser candidato desde que ficasse calado; Agora a Justiça proíbe os comícios, isto é, como antigamente pode ser candidato desde que seja mudo, sem contar com a inibição aos debates e às entrevistas.
Completando para evitar compras de votos determina que não se pode distribuir chaveiros, camisetas, canetas e quetais, mas nada fala sobre distribuição de cargos, assim, segundo os brilhantes magistrados , teremos eleições limpas e honestas. Mais uma medida simples sem nenhum efeito, pois a distribuição de favores irá continuar, e de quebra impede que os fabricantes de camisetas e das bugigangas ganhem dinheiro, e acaba com milhares e milhares de empregos temporários. Tudo muito simples e cômodo, pois melhor proibir do que trabalhar para conter os possíveis excessos.
No Brasil a história chega ao seu final com os picaretas sendo eleitos, a corrupção correndo solta, e a nação como a principal vítima de todo o processo. Só resta o consolo de saber que o sofá não estará mais na história .
Jorge Nicoli
Cidadão, poeta, ator e corinthiano
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