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Setor 1 / Sinopse

Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais - LIESV

GRESV Acadêmicos do Setor 1 - Carnaval 2008

 

Retrato do Brasil: Luz, Câmera, Ação!

 

No meu ano de estréia no Carnaval, coloco em “cartaz” o cinema nacional e a realidade brasileira. Os personagens desta "grande tela", através das histórias, costumes e crenças, retratarão o nosso povo. Nesta aquarela virtual, você vai rir, chorar, cantar, sambar e sonhar com o que vou lhe mostrar.

 

Ainda me lembro do surgimento do cinema na França, com os irmãos Lumiëre. Sete meses se passam e a Sétima Arte atravessa mares. Na carioca Rua do Ouvidor, origem do “Salão de Novidades Paris", a primazia cinematográfica tupiniquim. Nesta minha pátria: Luz, Câmera, Ação!

 

Ah, Meu Pindorama! Dos índios, das matas, cachoeiras e cascatas; terra “onde o que se planta dá”. Belezas naturais tão presentes nos filmes produzidos por aqui. Neles os nativos são guerreiros, anti-heróis, amantes, colonizados. Uma náu sendo engolida pelo oceano, o amor do português Diogo pela bela índia Paraguaçu É a origem da miscigenação brasileira. Guarani, Tupi, Goitacáz, Iracema, Peris, Cecis, Tainás... Verdadeiros donos da “Mãe Terra Brasil”.

 

Vejo no interior, gente criativa, batalhadora, irreverente, mas também, sofrida. A vida seca deste povo está retratada em sua face. Com a fé de Canudos, a profecia se realizou e o sertão mar virou... Nossa! Que saudade me dá contemplar a realidade interiorana: Jeca, João Grilo, Tico, os amores de Lampião por sua Maria Bonita e do Capitão Galdino Ferreira traído por Maria Clódia. Retratos desta gente, que tanto nos entristece, mas também nos faz sorrir. É, “morte e vida severina”!

 

Sinto-me triste caminhando pelas grandes metrópoles e constatando que o reflexo do medo está na sociedade. É tanta violência! Esse sim, um filme onde sons e imagens deveriam ser apenas ficção. É assustador ver Tropas de Elite, assumindo o papel da esperança e iludindo a paz nas cidades que deveriam ser dos Homens ou de Deus. Uma lágrima desce ao entrar no Carandiru e perceber naqueles olhares vazios uma aclamação por dias melhores...

 

...Vencer as dificuldades é um critério de sobrevivência. Seco minhas lágrimas e volto o meu olhar para aspectos positivos do cotidiano urbano. Em Copacabana, reflito assistindo o desenho da natureza estampado através de versos e cantorias. Penso em como é bom estar junto daquela garota dourada e ver as ondas beijarem a modernidade. Perto daqui o mundo conheceu uma bossa nova e descobriu que mesmo batendo calado os desafinados possuem um coração.

 

São vidas de contrastes onde a garra, determinação e suor são quesitos fundamentais nessa mistura encontrada numa Central chamada Brasil.

 

Vamos foliar! Aprendi em minhas andanças que o mundo é um moinho ao triturar sonhos, mas em fevereiro é permitido deixar as rosas falarem através de poesias feitas por um senhor, cujo nome escutei sendo pronunciado por um sorriso, Cartola. Em um desfile magistral o morro vira palco e de lá ainda se ouve as notas de Orfeu para sua Eurídice. A noite se fez em silêncio e nas cinzas da quarta-feira, canto junto ao pierrô pela sua colombina escondida entre as serpentinas. É... Junto dessa gente aprendi os valores que devemos plantar.

 

No meu desfile realizo meus sonhos e faço a minha arte...

 

Uma vez contaram-me que a vida imita a arte. Sabe de uma coisa? Transformarei a vida em filme. Dos componentes sairão personagens e deste desfile a minha história! O roteiro será baseado no amor, saúde, esperança e na busca pela paz. Guiado por eles concretizarei meus sonhos nesta avenida colorida por brilhos e emoções.

 

Vou contar pra vocês: meu nome é Acadêmicos do Setor 1, como todos, não quero tristeza, quero uma vida “beleza”, quero ser campeã...

                       

Corta!

 

 

 

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